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'Sentimento de revolta', diz delegada assaltada em casa de praia no RN

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014 · 0 comentários

Arthur BarbalhoDo G1 RN

Delegada registrou boletim de ocorrência na
Divisão Especializada de Investigações
e Combate ao Crime Organizado
(Foto: Reprodução/Inter TV Cabugi)

"A gente sabe que o assalto pode acontecer, mas é complicado procurar o atendimento da polícia e não conseguir. Fica o sentimento de revolta". O relato é da delegada Virgínia Karla Gomes, que foi uma das vítimas de um assalto a uma casa na praia de Zumbi, no litoral Norte do estado. Assessora da Corregedoria Geral da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio Grande do Norte (Sesed) e integrante do Conselho Superior da Polícia Civil do Estado, a delegada e outras nove pessoas tiveram quase todos os seus pertences roubados na última segunda-feira (6).

Ao G1, Virgínia falou que estava com a família na casa de um amigo quando três suspeitos invadiram a residência. "Estávamos em um grupo de cerca de dez pessoas, incluindo duas crianças e um idoso. Chegaram todos armados e imediatamente eles começaram a recolher todos os pertences. Em nenhum momento perceberam que eu era policial. Não foram violentos e não aparentavam muito nervosismo, mas ficou evidente que eram inexperientes", disse a delegada.

Os suspeitos levaram praticamente tudo o que havia na casa. Celulares, notebooks, um aparelho projetor de imagens, um HD externo, relógios, bolsas e joias foram levados. De acordo com a delegada, a ação foi rápida. "Em cerca de 15 minutos levaram tudo. Só não levaram os carros porque quando foram tentar sair eles atolaram, primeiro o meu e depois o carro de outra pessoa que estava na casa", explicou Virgínia.

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A delegada disse ainda que procurou a Polícia Militar, mas não encontrou. "Assim que aconteceu o assalto procuramos uma equipe da PM, mas não havia nenhuma em Zumbi. Procuramos nas praias vizinhas e também não encontramos. Só no dia seguinte conseguimos falar com a polícia, quando fomos registrar o boletim de ocorrência", afirma.

No boletim de ocorrência registrado na Divisão Especializada em Investigação e Combate ao Crime Organizado (Deicor), em Natal, a delegada informou que 'o crime foi cometido por três rapazes morenos, aparentando 20 e poucos anos, com camisas no rosto e olhos à mostra, sendo um deles de estatura baixa, com os olhos meio esbugalhados ou marcantes e outro gordo'.

Além da Deicor, que tem como titular a delegada Sheila Freitas, Virgínia entrou em contato também com os delegados de João Câmara e Ceará-Mirim. "Acredito que isso tem ser divulgado. Falei com alguns delegados da região porque a insegurança não está atingindo só Zumbi, mas várias praias do litoral Norte. Temos que buscar combater esse tipo de ação", encerrou a delegada.

Do Blog: A Exmª Delegada se sentiu revoltada porque não encontrou uma Viatura da PM em Zumbi, ora Srª Delegada, Zumbi não é cidade é distrito de Rio do Fogo, onde só tem um ou dois policiais de serviço por dia pra atender todo o município, então me diga como é que a Srª quer uma guarnição da PM exclusiva pra Zumbi?

'Já pensei em desistir', diz delegada sobre as condições de trabalho no RN

sexta-feira, 2 de agosto de 2013 · 0 comentários

Igor Jácome Do G1 RN


Delegada Taís Aires fez desabafo nas redes sociais
(Foto: Igor Jácome/G1)

“Quando os agentes saem para fazer uma intimação, tranco o cadeado da delegacia”. A revelação é parte do desabafo feito pela delegada Taís Aires Telino. Atuando há um ano como titular da Delegacia de Polícia de Santana do Matos, na região Central, ela é responsável por mais dois municípios e conta com uma equipe formada por três agentes e nenhum escrivão. “Nunca tive um”, acrescenta. Taís publicou sua denúncia em uma rede social. Nesta sexta-feira (2), ela concedeu entrevista ao G1 na sede daAssociação de Delegados da Polícia Civil (Adepol). "Muitas investigações param por falta de estrutura", disse ela. “Já pensei em desistir, mas amo o que faço. Não sou mulher de pular do barco”, emendou.


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Segundo a delegada, os principais problemas enfrentados por ela são a falta de estrutura e de pessoal. “E o meu caso não é o mais grave. Há cidades onde só há um delegado e um agente”, afirma.

Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria Estadual da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed) disse reconhecer os problemas enfrentados pela Polícia Civil em todo oestado, mas não tem condições de resolver a situação devido à Lei de Limite Prudencial. A Sesed ainda diz que os problemas apresentados são antigos e já passaram por outras gestões.

Atualmente, de acordo com a assessoria, delegados e agentes aprovados no último concurso, como é o caso da própria Taís, só são nomeados para preencher vagas abertas com saída de outros policiais. Apesar de afirmar que deseja aumentar o efetivo, a Secretaria declarou que não pode ultrapassar o limite prudencial estabelecido.

Dificuldades

Sediada em Santana dos Matos, a delegada também atende às demandas dos municípios deSão Rafael e Bodó. A delegacia conta apenas com um carro de polícia caracterizado. “Nós não temos um carro descaracterizado para manter campana (vigília). Já tive que usar meu próprio carro para monitorar uma quadrilha de assalto a bancos”, revela.

A delegacia funciona em um prédio alugado e cedido pelo município. A limpeza e a reforma do prédio também estão a cargo da administração municipal. “No dia em que a prefeitura pedir o prédio, ficaremos sem teto”, acrescenta.

“O ar condicionado foi instalado pela prefeitura, os móveis foram doados por um banco; o computador, pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE/RN)”, ainda afirma. “Não temos sequer fax. Isso atrapalha a comunicação com outras delegacias”. De acordo com ela, os agentes precisam escanear documentos para mandar por e-mail ou ir a uma farmácia para poder fazer mandar o fax. "Muitas investigações param por falta de estrutura", conta.

Quando à falta de pessoal, ela reclama que há apenas três agentes na delegacia, para atuar nos três municípios. "Nunca tive um escrivão. Ele é parte fundamental em uma delegacia", argumenta. Em alguns meses do ano, a delegacia chega a ter apenas dois agentes. "É regra da polícia que nenhum agente pode sair para uma intimação, por exemplo, só". Quando meus agentes saem tranco o cadeado da delegacia", admite.  

“Já pensei em desistir”

A bacharel conta que já pensou em desistir da profissão. Mesmo com o incentivo de outras pessoas para sair, ela escolheu permanecer na carreira. “Já pensei em sair, já passei em outro concurso, mas amo a carreira de polícia. Amo o que o que faço. Não sou mulher de pular do barco”, coloca.

De acordo com a Associação dos Delegados de Polícia do Rio Grande do Norte (Adepol), o estado tem cinco mil vagas abertas por lei. No entanto, pouco mais de 1.700 policiais atuam. A presidente da categoria, Ana Cláudia Saraiva Gomes, a situação enfrentada por Taís é a mesma de outros delegados no interior do estado.

“Estamos na iminência de um colapso na segurança por falta de estrutura e condições detrabalho”, disse ao G1. “Apesar disso tudo, estamos e trabalhando, pois somos aguerridos e temos respeito pela população. Fazemos nossa parte e clamamos que o Governo faça a dele”, concluiu.

 

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