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MP enquadra PMs

segunda-feira, 25 de março de 2013 · 0 comentários

DO NOVO JORNAL

O Ministério Público Estadual está acusando sete policiais militares pela prática de improbidade administrativa por, supostamente, terem desviados recursos públicos da Polícia Militar do RN. Promotores da Defesa do Patrimônio Público estimam que R$ 334.755,30 tenham sido retirados do setor de finanças da Corporação após irregularidades cometidas pelo tesoureiro geral, que teria direcionado cheques a familiares e amigos. Três oficiais superiores são investigados.

A Ação Civil Pública de Responsabilização pela Prática de Atos de Improbidade Administrativa, impetrada na quarta-feira dessa semana, foi distribuída por sorteio para a 3ª Vara da Fazenda Pública de Natal e está conclusa para despacho. O suposto esquema vinha sendo investigado desde o ano de 2005, quando foi identificado, mas só agora foi denunciado ao TJ.

O MP aponta que o major Francisco Flávio Melo dos Santos, que ocupou o cargo de tesoureiro da diretoria de finanças, seria o líder de um esquema de desvio de dinheiro na Corporação. Ele teria direcionado cheques e falsificado a assinatura do comandante da PM da época, o coronel Edvaldo Balbino Rodrigues. Os cheques, de acordo com a denúncia, tiveram como beneficiários a sua irmã, major Maria Tereza dos Santos Boggio, a sua amiga sargento Verací Câmara de Freitas, a sua ex-namorada Selma Maria Ribeiro, dois soldados da PM (Cleber Benedito Martins e José Francisco Caetano) e o sargento Mário Romão da Silva.

No total, o MP pede a condenação por improbidade de nove pessoas, sendo sete militares. Na lista dos acusados também está o coronel Severino Francisco de Moura, que ocupava a diretoria de finanças na época dos desvios investigados.

Nos pedidos que os promotores realizaram à Justiça, estão a quebra do sigilo bancário dos investigados, a indisponibilidade de bens, a condenação por improbidade e a condenação a ressarcimento do valor de R$ 334.475,30. Nos termos do artigo 12 da Lei de Improbidade Administrativa, os promotores requerem que os policiais percam a função pública que ocupam.

Do total de mais de R$ 300 mil, o Ministério Público revelou que ao menos R$ 188.069,51 teriam sido destinados a amigos e familiares, “favorecendo-os diretamente sem nenhuma motivação específica a não ser o dolo de auferir o desvio de dinheiro público”. O valor restante teria sido emitido pelo major Flávio sem que fossem seguidas as exigências legais.

A maior favorecida com os valores dos cheques emitidos pelo major Flávio, de acordo com as investigações, é a sua irmã, major Tereza. Um total de R$ 106.338,00 teve ela como beneficiária. Os números e cópias dos cheques foram anexados ao processo.

Os promotores detalham na ação que “sem nenhuma base legal ou regulamentar e à margem de qualquer transparência, o demandado realizava uma intensa movimentação de cheques destinados ao pagamento de diárias, de fornecedores, bem como beneficiava nominalmente, sem nenhuma justificativa, membros da corporação e civis”. Na visão do Ministério Público, o oficial superior “desviava para si ou para outrem, as verbas integrantes do acervo patrimonial da PM/RN, emitindo ordens de pagamento para custear supostas despesas sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie.”.

A ação aponta que a gestão do tesoureiro serviu como “terreno fértil” para desvios de dinheiro público. “A gestão do demandado no manuseio das verbas extraorçamentárias da Polícia Militar foi terreno fértil para o desvio do dinheiro público, com a transferência de tais recursos de maneira indiscriminada, através de cheques nominais, beneficiando até mesmo pessoas do seu círculo afetivo”.

O NOVO JORNAL tentou manter contato com a Promotoria da Defesa do Patrimônio Público para tirar dúvidas quanto à Ação. O documento não esclarece qual a destinação de R$ 150.406,00 que, apesar de terem sido aparentemente gastos de forma irregular, não foram destinados a amigos e familiares. Outro questionamento é o porquê de o procedimento investigativo ter se prolongado por mais de sete anos, já que o inquérito civil 147 foi aberto no ano de 2005. Outra pergunta foi sobre a possibilidade de responsabilização criminal em face da suposta irregularidade.

Através da assessoria de comunicação, os promotores informaram que não teriam tempo para responder às perguntas, pois estavam ocupados respondendo a outra demanda judicial sobre a qual deveriam se posicionar em 48 horas. O MP informou que na segunda-feira prestará os esclarecimentos requisitados.

Suspeitos negam irregularidades 

Dentre os sete policiais militares investigados, dois deles ocupam cargos de chefia no atual comando da PM. O major Francisco Flávio Melo dos Santos, apontado como líder do esquema, é chefe de Operações do Comando de Policiamento do Interior (CPI). A sua irmã, a major Maria Tereza Melo dos Santos Boggio é a atual comandante do 1º Batalhão da PM, responsável pelo patrulhamento da zona Leste de Natal.

O NOVO JORNAL os procurou nessa sexta-feira para que pudessem comentar as acusações. Na sala onde trabalha, no Quartel do Comando Geral no Tirol, o major Flávio negou que tivesse praticado qualquer irregularidade. “Já fui absolvido em processo semelhante. Recebo com surpresa essa nova acusação, mas vou aguardar para me pronunciar somente em juízo”, disse o oficial.

Ele disse que as ordens de pagamento continham a assinatura do comandante-geral e, por isso, não poderiam ser irregulares. “Houve prestação de contas e tinha a assinatura do comandante”. O MP apontou, após perícias grafotécnicas realizadas pelo Itep, que houve falsificação da assinatura do coronel Balbino. O major negou a autoria da falsificação. Ele se disse perseguido pelo ex-comandante da PM, coronel Marcondes Rodrigues Pinheiro. Foi na gestão de Marcondes que a investigação começou.

A reportagem também ouviu a major Tereza. Por telefone, ela informou que estava hospitalizada e não se prolongaria nos comentários sobre as acusações. Ela negou que tivesse sido beneficiária de cheques. Momentos antes, o major Flávio havia dito que a irmã era uma dentre outros policiais para quem cheques eram emitidos para realização de pagamentos. “Não sei do que se trata a ação. Preciso tomar conhecimento antes de comentar qualquer coisa”, disse a major Tereza.

Os demais investigados têm papel supostamente menor no esquema. A sargento Verací Câmara, atualmente lotada na Secretaria de Segurança, teria sido beneficiária de um cheque no valor de R$ 4,8 mil. Além disso, a sua mãe também figura como uma das pessoas que receberam recursos irregulares. Em depoimento, a mãe da sargento disse ter atendido um pedido feito pela filha, para quem repassou o valor.

Também existem cheques em nome dos soldados José Francisco Caetano e Cleber Benedito Martins, que trabalham hoje em departamentos administrativos da PM. Na mesma situação está o sargento Mário Romão da Silva, que atua Departamento de Apoio Logístico da Corporação. A participação do coronel Severino Moura, que hoje está na Reserva, de acordo com o MP, restringe-se a permitir que pagamentos fossem realizados de forma ilegal, com policiais sacando cheques para pagar a fornecedores, como disse em depoimento.

O Ministério Público ouviu os investigados no âmbito do inquérito civil que conduzia. Aos promotores, os investigados disseram que os valores sacados eram integralmente devolvidos ao major Francisco Flávio Melo dos Santos. Isso, no entanto, não exime de responsabilidade os beneficiários que, segundo o MP, agregaram os valores aos patrimônios pessoais.

Comandante vai esperar tramitação do processo

O Comandante-geral da Polícia Militar, coronel Francisco Araújo, disse que tomou conhecimento da ação através da reportagem do NOVO JORNAL, que na manhã de ontem solicitou um posicionamento dele quanto à situação. Ele afirmou que irá aguardar a tramitação do processo, já que a ação foi impetrada nessa semana, para avaliar eventuais medidas contras os investigados. “Vamos tomar as medidas institucionais cabíveis, mas iremos aguardar a tramitação do processo. É prematuro me posicionar agora”, resumiu Araújo. 

Como funcionava o esquema, segundo o MP

1 – Entre os anos de 2004 e 2005, o major Francisco Flávio Melo dos Santos, enquanto tesoureiro da PM, teria desviado R$ 334.475,30 da Corporação.

2 – O desvio ocorria através da emissão de cheques a amigos e familiares. O MP identificou que, ao menos R$ 11.731,51 tiveram como beneficiários amigos e subordinados do major na diretoria de finanças da PM.

3 – A maior beneficiária desse esquema seria a major Maria Tereza Melo dos Santos Boggio, irmã do major Flávio. Ela teria recebido R$ 106.338,00 através de cheques.

4 – Para concretizar as fraudes, o major Flávio teria chegado a falsificar a assinatura do comandante da PM à época. A falsificação foi atestada por perícia do Itep.

5- O MP pede a condenação de sete policiais militares e duas outras pessoas por improbidade administrativa, que inclui a perda da função pública. Além disso, requer à Justiça a quebra de sigilo bancário dos envolvidos e a indisponibilidade de bens para ressarcimento ao Estado do valor supostamente desviado.

6 - Os suspeitos negam envolvimento em irregularidades. Comando da Corporação aguarda tramitação do processo para tomar qualquer medida.

Número de munições desviadas no Rio de Janeiro entre 2000 e 2010 chegou a 32.696

quarta-feira, 20 de junho de 2012 · 0 comentários

O número de munições desviadas das forças policiais e militares no Estado do Rio de Janeiro entre 2000 e 2010 chegou a 32.696, segundo a apuração da CPI da Assembleia Legislativa que investigou o tráfico de armas. Não há dados consolidados sobre recuperação do material subtraído. Leia também: Rio teve 1.580 armas desviadas de órgãos públicos entre 2000 e 2010 Só a Aeronáutica teve 20.040 balas desviadas. Um dos maiores roubos ocorreu em fevereiro de 2010 quando 2 mil munições para pistolas nove milímetros foram desviadas do 3º Comando Aéreo Regional (3º Comar), no centro do Rio. Já no Exército houve desvio de 11.373, sendo cerca de 9 mil delas subtraídas em dezembro de 2007 do Depósito Central de Munição, em Paracambi, na região metropolitana. Segundo a CPI, a PM teve 466 munições desviadas no período sendo 215 cartuchos calibre 5,56 mm (fuzil), 140 calibre 7,62 mm (fuzil) e 140 calibre 40 (pistola).

Já na Marinha, foram 817 projéteis subtraídos. Vinte foram recuperados.

Ao contrário do que ocorreu com as armas, a área pública superou a privada em número de desvios. O setor particular perdeu 10.730 balas no mesmo período.

Agentes suspeitos O relatório da CPI das Armas também levantou que, entre 2000 e 2010, ao menos 2.024 pessoas foram indiciadas, processadas ou presas entre 2000 e 2010 pelo crime de tráfico de armas no Estado.

Dentre elas, há 82 policiais militares, 32 bombeiros militares, 29 policiais civis, quatro agentes penitenciários, três policiais federais, 88 membros das Forças Armadas (65 do Exército, 12 da Marinha, 11 da Aeronáutica), dois guardas municipais e 250 civis, além de 1.531 pessoas sem qualificação. Os nomes dos suspeitos não foram citados no relatório devido à possibilidade de terem sido inocentados ou ainda não julgados. Números podem ser maiores Coordenador da CPI das Armas, o delegado da Polícia Civil do Rio Vinicius George afirmou ao iG que o número de desvios de armas e munições de forças policiais e militares pode ser ainda maior do que o citado no relatório.

Segundo ele, houve corporações que não passaram dados confiáveis e outras que demonstraram falta de controle interno do armamento.

"As informações passadas pela PM foram frágeis. Os bombeiros não passaram informação alguma. Já outros órgãos, como a Polícia Civil, tiveram boa vontade em informar mas apresentaram um nível de desorganização grande em seu controle interno. Não havia banco de dados informatizado, controle de distribuição pelas unidades. Somente as Forças Armadas apresentaram dados mais precisos. O número desviado é maior do que o citado no relatório, com certeza. Não diria o dobro, mas é difícil fazer uma estimativa", disse

O delegado explicou que devido a baixa qualidade nas informações, por exemplo, não foi possível fechar um número sobre o número de explosivos desviados, como granadas, por exemplo.

George declarou que o número de armamentos e munições desviados não o surpreendeu e que é impensável dizer que, no caso dos desvios, não houve a participação de alguém das próprias corporações.

"As informações costumam vir de alguém de dentro. Um policial que trabalhava no depósito central de armas da PM e ficava responsável por receber todo o armamento e distribuí-lo era envolvido com traficantes. Munições que foram desviadas de batalhões da PM foram usadas no assassinato da juíza Patrícia Acioli", disse ele citando alguns casos de participação de policiais nos desvios.

Segundo ele, os desvios podem ser por roubo ou furto e os destinos são sempre traficantes, bicheiros, milicianos ou para cometimento de crimes pelo próprio responsável pela subtração do material.

A respeito do baixo índice de recuperação das armas desviadas verificado pelo relatório, Vinicius George disse também não ter ficado surpreso. Segundo ele, a deficiência no controle interno dos armamentos e munições também compromete o papel do Estado na fiscalização do mercado privado, da onde ocorreu o maior número de desvios

"Se o Estado não consegue controlar o que está dentro, quem dirá do que está fora. Como é que o próprio vai fazer um controle eficaz do mercado privado, desde a fabricação até a venda nas lojas. ", declarou.

George explicou ainda que, apesar do desvio de armas ser maior no mercado privado, ele é mais qualitativo nos órgãos públicos.

"A maioria dos desvios na iniciativa privada é de armas curtas enquanto nos órgãos públicos saem muitos fuzis", argumentou. No ano passado, embora os dados não tenham sido totalizados, surgiram notícias de desvios de armas e munições públicas. Uma delas foi de um fuzil que desapareceu dos quadros da Força de Pacificação do Exército que atuava nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte. O outro caso foi de uma investigação que apontou um PM do Bope (Batalhão de Operações Especiais) envolvido no desvio de munições da polícia. Os projéteis, de acordo com a apuração, teriam sido negociados com traficantes do município de Itaboraí, na região metropolitana. Houve ainda um caso do desaparecimento de munições do Batalhão Escola de Comunicações do Exército, na Vila Militar, em Deodoro, na zona oeste da capital.

Mario Hugo Monken, iG Rio de Janeiro via policialbr.com

 

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