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Alunos evangélicos se recusam a fazer trabalho sobre a cultura afro-brasileira

segunda-feira, 17 de março de 2014 · 0 comentários

Alunos se negaram a fazer projeto sobre cultura afro-brasileira, alegando 'princípios religiosos', afirmando que o trabalho faz apologia ao 'satanismo e ao homossexualismo'.

Manaus (AM), MARIA DERZI


Polêmica na escola motivou ida de representantes de Fórum,OAB e MPE (Odair Leal)


O protesto de um grupo de 13 alunos evangélicos do ensino médio da escola estadual Senador João Bosco Ramos de Lima - na avenida Noel Nutels, Cidade Nova, Zona Norte -, que se recusaram a fazer um trabalho sobre a cultura afro-brasileira – gerou polêmica entre os grupos representativos étnicos culturais do Amazonas.

Os estudantes se negaram a defender o projeto interdisciplinar sobre a ‘Preservação da Identidade Étnico-Cultural brasileira’ por entenderem que o trabalho faz apologia ao “satanismo e ao homossexualismo”, proposta que contraria as crenças deles.

Por conta própria e orientados pelos pastores e pais, eles fizeram um projeto sobre as missões evangélicas na África, o que não foi aceito pela escola. Por conta disso, os alunos acamparam na frente da escola, protestando contra o trabalho sobre cultura afro-brasileira, atitude que foi considerada um ato de intolerância étnica e religiosa. “Eles também se recusaram a ler obras como O Guarany, Macunaíma, Casa Grande Senzala, dizendo que os livros falavam sobre homossexualismo”, disse o professor Raimundo Cardoso.

Para os alunos, a questão deve ser encarada pelo lado religioso. “O que tem de errado no projeto são as outras religiões, principalmente o Candomblé e o Espiritismo, e o homossexualismo, que está nas obras literárias. Nós fizemos um projeto baseado na Bíblia”, alegou uma das alunas.

Intolerância gera debate na escola

A polêmica entre os alunos evangélicos e a escola provou a ida de representantes do Fórum Especial de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros do Amazonas, da Ordem dos Advogados do Brasil, secção do Amazonas, e do Ministério Público do Estado.

Para a representante do movimento de entidades de direitos humanos e do Fórum Especial de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros do Amazonas, Rosaly Pinheiro, a problemática ocorrida na escola reflete uma realidade de racismo e intolência à diversidade. “Nós temos dados de que 39% dos gestores e alunos das escolas são homofóbicos. Essa não pode ser encarada como uma oportunidade para se destacar um fato ruim, mas sim uma oportunidade de se discutir, de uma forma mais ampla essas questões com os alunos”,disse.

Para a representante do Ministério Público, Carmem Arruda,a situação também deve ser encarada como uma oportunidade de esclarecer a comunidade.“É uma chance de discutir a diversidade e uma oportunidade de contruirmos uma conscientização junto não apenas aos alunos, mas sim às famílias que serão fazem refletidas junto a comunidade”.

Representante do Fórum pela Diversidade da OAB/AM, Carla Santiago, ressaltou que o episódio não era para ser encarado como um ato que fere os direitos de negros, homossexuais, mas sim um momento de conscientizar os alunos sobre a etnodiversidade. A conversa entre os diversos segmentos envolvidos prometia uma nova rodada, mas até o fechamento desta edição estava mantida a posição da escola de cobrar o trabalho original passado aos alunos pelo professor de História.

Cabo da PM diz ter sido vítima de racismo em supermercado de Vitória

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014 · 0 comentários

G1
O cabo da Polícia Militar Edson Lopes, que é negro, diz que foi obrigado a se despir em um supermercado de Vitória, no Espírito Santo, para provar que não tinha roubado nada. “É uma situação difícil. Eu queria morrer a passar por uma situação dessa”, desabafa.

Edson chora ao lembrar o que aconteceu no supermercado. Ele disse que foi injustamente acusado de furto. Ontem (18) à noite ele comprou dois vinhos e guardou a nota fiscal. Disse que após pagar, foi ao banheiro e conta que dois seguranças o obrigaram a tirar a roupa. “[O segurança disse] O senhor pagou esse vinho? Sim, paguei. Pediram a nota e mandaram eu tirar a roupa. O cidadão mandou tirar a roupa, me despir dentro do banheiro, foi uma coisa muito constrangedora.”

O cabo estava de chinelo, bermuda, camiseta e boné, e diz que sofreu preconceito. “Porque eu sou negro, porque eu ando às vezes de chinelo e me confundiram com um ladrão. Talvez seja por isso.”

O supermercado não deu entrevista, mas enviou um email informando que “o fato não ocorreu e estamos buscando as imagens dentro da loja para comprovar e levar em juízo.”

O advogado Bruno Duque disse que se Edson provou que pagou pelos produtos, o supermercado pode ter cometido o crime de racismo. “Ele sendo abordado apresentando a nota fiscal, comprovando que ele adquiriu o produto e pagou, ele não poderia ter sido submetido ao constrangimento que ele sofreu.”

Edson disse que foi ao supermercado outras vezes, mas nunca passou por uma situação parecida. Além de policial militar ele também faz o curso de direito em uma faculdade que fica a um quarteirão do supermercado. Hoje ele foi a faculdade, mas disse que nem assistiu aula porque está muito abalado. “Um país multirracial e ter uma coisa tão repugnante como o preconceito. Eu me sinto acabado, não tenho cabeça para nada hoje.”

Neonazistas são presos em Niterói por agressão a nordestino, diz polícia

sábado, 27 de abril de 2013 · 0 comentários

Neonazistas foram levados para a delegacia neste sábado (Foto: Ana Paula Santos / TV Globo)

Um grupo de sete jovens neonazistas foi detido por guardas municipais por agredirem um nordestino no Centro de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, na manhã deste sábado (27). A polícia confirmou a prisão de seis deles, incluindo uma mulher, e a apreensão de um menor. Pedestres acionaram os agentes quando viram o grupo indo em direção à vítima com facas e um taco de beisebol.

O crime ocorreu na Praça Araribóia, nas proximidades da estação das barcas, uma das regiões mais movimentadas do município fluminense. Uma multidão se formou em volta dos jovens para impedir que a agressão continuasse.

A delegada adjunta da 77ª DP (Icaraí), Helen Sardenberg, que registrou o caso, informou que os jovens vestiam camisas com inscrições de um grupo neonazista e tinham tatuagens com o símbolo da suástica.

Sardenberg vai autuar o grupo por lesão corporal, mas ainda vai analisar se vai incluir crime racial na autuação. A vítima, que é do Rio Grande do Norte, segundo o registro policial, esteve na delegacia aparentemente sem lesões graves, de acordo com os policiais.

"Só não espancaram a vítima por que era de dia. A população agiu rapidamente chamando a guarda municipal", disse a delegada.

O grupo ainda estava sendo identificado na delegacia por volta das 11h30.

 

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